MYSTIC RIVER
Era uma sala grande e comovida que assistia à dor vingativa daquele pai. Que se afligia com a figura atacada que corria entre as árvores.
Se o fim não estava particularmente conseguido (talvez por colagem ao livro - que desconheço- e ao fraco desenvolvimento de algumas personagens secundárias), todo o resto foi conduzido com sensibilidade e mestria.
A ver.
Caeiro, também aqui, é o mestre. Este blogue é mantido por Possidónio Cachapa e todos os que acham por bem participar. A blogar desde 2003.
30 de novembro de 2003
AUTORIAS E TRANQUILIDADE S.TOMENSE
:) Ontem, ao ver uma reportagem que me fazia desaparecer misteriosamente da lista de autores do argumento de um filme em rodagem, ia sorrindo. Normalmente ficaria furioso; preocupado com as razões que estariam na origem da informação filtrada. Ontem, não. Pensei na honestidade que tinha dispendido com aquele trabalho, na segurança de ter chegado a um resultado que não me envergonha, que me fez crescer enquanto argumentista (no sentido em que desenvolvi estratégias técnicas para resolver situaçõe complexas) e na seriedade que tento colocar no que faço. E ainda mais me tranquilizei. O ghostwriting tem os dias contados. Tão contados como a antiga inépcia na feitura de filmes. Algumas pessoas é que ainda não deram por isso.
Ir a S. Tomé fez-me mesmo bem :)
:) Ontem, ao ver uma reportagem que me fazia desaparecer misteriosamente da lista de autores do argumento de um filme em rodagem, ia sorrindo. Normalmente ficaria furioso; preocupado com as razões que estariam na origem da informação filtrada. Ontem, não. Pensei na honestidade que tinha dispendido com aquele trabalho, na segurança de ter chegado a um resultado que não me envergonha, que me fez crescer enquanto argumentista (no sentido em que desenvolvi estratégias técnicas para resolver situaçõe complexas) e na seriedade que tento colocar no que faço. E ainda mais me tranquilizei. O ghostwriting tem os dias contados. Tão contados como a antiga inépcia na feitura de filmes. Algumas pessoas é que ainda não deram por isso.
Ir a S. Tomé fez-me mesmo bem :)
28 de novembro de 2003
GENERALIZAR
Uma das maiores dificuldades de emitir uma visão sobre qualquer assunto é que estaremos sempre a "generalizar". Não no sentido de nos armarmos em generais, os donos da verdade, mas no de estarmos a expressar uma opinião sobre um conjunto. Seja ele uma classe profissional, social, etária, ou outra. Daí que haja sempre alguém que se queixe de, pertencendo ao referido conjunto, não se rever na imagem dada. Ou de "conhecer gente" que não se encaixa.
Com o tempo, todos percebemos que se alguém diz "os merceeiros de Vila Pouca andam a roubar a população no preço do café", isso não inclui TODOS os merceeiros. Haverá sempre o senhor José que tem levado uma vida relativamente honesta e que só roubou no preço da farinha; ou que bate na mulher, ou assim, mas que NUNCA ROUBOU NO CAFÉ. A forma politicamente correcta de contornar a coisa é escrever "alguns merceeiros". Ou "alguns bombeiros". Ou "alguns políticos".
Acontece, que estatisticamente somos levados de quando em vez a pronunciarmo-nos sem o "alguns". Por exemplo, quando nos referimos aos taxistas do aeroporto da Portela. Deveríamos dizer "alguns" são uns vermes, e acabamos a dizer "eles" são umas amibas (que, em substância, não passam de vermes brainless). Ou seja, não afirmando que "toda a floresta está doente", subentende-se que a maioria das árvores o estão.
Se eu digo "os caçadores" são uma espécie anacrónica, cujos hábitos têm frequentemente efeitos secundários nefastos (para não falar nos directos), quero mesmo referir-me à "a esmagadora maioria". O que não quer dizer que no meio deles não se encontre gente que procura respeitar o meio-ambiente e que sinta sobretudo um grande prazer em passar dias a percorrer os campos. Gente essencialmente positiva.
Este raciocínio aplica-se a tudo o resto. Os actos não se confudem com quem os pratica.
Uma das maiores dificuldades de emitir uma visão sobre qualquer assunto é que estaremos sempre a "generalizar". Não no sentido de nos armarmos em generais, os donos da verdade, mas no de estarmos a expressar uma opinião sobre um conjunto. Seja ele uma classe profissional, social, etária, ou outra. Daí que haja sempre alguém que se queixe de, pertencendo ao referido conjunto, não se rever na imagem dada. Ou de "conhecer gente" que não se encaixa.
Com o tempo, todos percebemos que se alguém diz "os merceeiros de Vila Pouca andam a roubar a população no preço do café", isso não inclui TODOS os merceeiros. Haverá sempre o senhor José que tem levado uma vida relativamente honesta e que só roubou no preço da farinha; ou que bate na mulher, ou assim, mas que NUNCA ROUBOU NO CAFÉ. A forma politicamente correcta de contornar a coisa é escrever "alguns merceeiros". Ou "alguns bombeiros". Ou "alguns políticos".
Acontece, que estatisticamente somos levados de quando em vez a pronunciarmo-nos sem o "alguns". Por exemplo, quando nos referimos aos taxistas do aeroporto da Portela. Deveríamos dizer "alguns" são uns vermes, e acabamos a dizer "eles" são umas amibas (que, em substância, não passam de vermes brainless). Ou seja, não afirmando que "toda a floresta está doente", subentende-se que a maioria das árvores o estão.
Se eu digo "os caçadores" são uma espécie anacrónica, cujos hábitos têm frequentemente efeitos secundários nefastos (para não falar nos directos), quero mesmo referir-me à "a esmagadora maioria". O que não quer dizer que no meio deles não se encontre gente que procura respeitar o meio-ambiente e que sinta sobretudo um grande prazer em passar dias a percorrer os campos. Gente essencialmente positiva.
Este raciocínio aplica-se a tudo o resto. Os actos não se confudem com quem os pratica.
ENGATE:
"Accção de atrelar animais a veículos, de ligar entre si carruagens, de prender ou segurar com gatos ou engates...." diz o dicionário da Academia.
Daí, eu nunca ter percebido bem a coisa.
Conheço gente que vive no pânico de "ser engatado". Outros de "não conseguirem engatar". E eu que vivo uma vida simples não estava a ver. Ora se uma pessoa não é um animal, como é que pode desaparecer da vista de outro por medo de ser atrelado a um veículo? Eu sei que isto não é uma perspectiva divertida (e quem já viu filmes com malucos em autoestradas percebe bem...) mas, admitamos, não passa de uma hipótese remota.
Já os que são doidos por engatar me causam ainda mais confusão. Mesmo atendendo à diversidade do mundo, que raio de interesse tem em segurar alguma coisa "com gatos". Com gatos? Logo com gatos, que é um bicho que só faz o que lhe dá na real gana...!! Ainda se fosse com cães ou cavalos que são bichos mais mansos, ainda vá. Mas assim...
Não sei. Não percebo...
"Accção de atrelar animais a veículos, de ligar entre si carruagens, de prender ou segurar com gatos ou engates...." diz o dicionário da Academia.
Daí, eu nunca ter percebido bem a coisa.
Conheço gente que vive no pânico de "ser engatado". Outros de "não conseguirem engatar". E eu que vivo uma vida simples não estava a ver. Ora se uma pessoa não é um animal, como é que pode desaparecer da vista de outro por medo de ser atrelado a um veículo? Eu sei que isto não é uma perspectiva divertida (e quem já viu filmes com malucos em autoestradas percebe bem...) mas, admitamos, não passa de uma hipótese remota.
Já os que são doidos por engatar me causam ainda mais confusão. Mesmo atendendo à diversidade do mundo, que raio de interesse tem em segurar alguma coisa "com gatos". Com gatos? Logo com gatos, que é um bicho que só faz o que lhe dá na real gana...!! Ainda se fosse com cães ou cavalos que são bichos mais mansos, ainda vá. Mas assim...
Não sei. Não percebo...
27 de novembro de 2003
LOBBIES
Anda gente a queixar-se de que há lobbies (lóbis, na grafia portuguesa?"lobos" seria mais adequado...) nos bombeiros, nas escolas, na justiça etc. Que haveria gente colocada antecipadamente em lugares públicos....
Qualquer dia ainda descobrem que nas secretarias várias se abrem concursos com critérios moldados para a pessoa que lá querem meter à força.
Anda gente a queixar-se de que há lobbies (lóbis, na grafia portuguesa?"lobos" seria mais adequado...) nos bombeiros, nas escolas, na justiça etc. Que haveria gente colocada antecipadamente em lugares públicos....
Qualquer dia ainda descobrem que nas secretarias várias se abrem concursos com critérios moldados para a pessoa que lá querem meter à força.
DEIXA-OS POUSAR
... É um ditado muito velho. Usa-se para dominar a impaciência perante a descrença dos lentos.
Os nossos intelectuais e políticos, depois de terem escrito amargos e desdenhosos textos a propósito dos blogues, começaram, a um e um ou a quatro e quatro a gatinhar na blogosfera. São sempre recebidos com generosidade; "Entrem", diz-se-lhes, sem rancor. E eles lá vêm, ainda fazendo cara feia, entre o deslumbrado e o rezingão, até que se instalam e sentam a brincar. Já fizeram isto com o computador, depois com o email, em seguida com a navegação não-estruturada. Agora os blogues.
Chegam tarde. São bem-vindos, mas chegam tarde. E terem a humildade de reconhecer que estavam enganados ao considerarem o esforço e a criatividade de centenas (agora milhares) de portugueses como uma brincadeira inócua não vos ficaria mal, ó descobridores da pólvora
;-)
ps: enquanto verificava no meu dicionário que a palavra "benvido" já não era bem-vinda à nossa grafia, descobri ainda " bem-dito: que é objecto de reconhecimento de outrem, pelas qualidades, comportamento... favoráveis". Além de "beiçana", "bengalada" e, o mais interessante "bendeucha", o acto de conquistar alguém, com o intuito de iniciar uma relação amorosa.=ENGATE
... É um ditado muito velho. Usa-se para dominar a impaciência perante a descrença dos lentos.
Os nossos intelectuais e políticos, depois de terem escrito amargos e desdenhosos textos a propósito dos blogues, começaram, a um e um ou a quatro e quatro a gatinhar na blogosfera. São sempre recebidos com generosidade; "Entrem", diz-se-lhes, sem rancor. E eles lá vêm, ainda fazendo cara feia, entre o deslumbrado e o rezingão, até que se instalam e sentam a brincar. Já fizeram isto com o computador, depois com o email, em seguida com a navegação não-estruturada. Agora os blogues.
Chegam tarde. São bem-vindos, mas chegam tarde. E terem a humildade de reconhecer que estavam enganados ao considerarem o esforço e a criatividade de centenas (agora milhares) de portugueses como uma brincadeira inócua não vos ficaria mal, ó descobridores da pólvora
;-)
ps: enquanto verificava no meu dicionário que a palavra "benvido" já não era bem-vinda à nossa grafia, descobri ainda " bem-dito: que é objecto de reconhecimento de outrem, pelas qualidades, comportamento... favoráveis". Além de "beiçana", "bengalada" e, o mais interessante "bendeucha", o acto de conquistar alguém, com o intuito de iniciar uma relação amorosa.=ENGATE
26 de novembro de 2003
O FIM?
Nem de propósito. Ainda a respeito da Zero, recebo uma carta a anunciar a suspensão das suas actividades. Depois da ameaça no final do Verão, a concretização.
Em carta desencantada, a direcção lamenta o desinteresse da Câmara de Lisboa e de outras entidades com responsabilidades na área da cultura por este projecto. Pela maneira como subestimaram um trabalho que trouxe de forma sistemática, reflectida e insistente uma amostragem do que de melhor se está a fazer pelo mundo em termos de cinema. Muitos de nós, como eu, são testemunha desse esforço. A vergonha fica com quem deve ficar.
Antes de partirem e além da já referida mostra no Quarteto, a Zero programou para Dezembro, 3 interessantes filmes. Conheço apenas um, ALL ABOUT LILY CHOU CHOU, de Shunji Iwai, que começa com um plano sequência absolutamente maravilhoso. Como diz o prospecto "é um filme que se sente" mais do que se vê. A 4, 5 e 9 de Dezembro. Antes disso, LABERINTO DE PASIONES, de Pedro Almodóvar, passado numa Madrid dos anos 80. E a 10, 11 e 12, chega HUKKLE, de Pálfi Gyorgy, um filme perturbador sobre a vida rural na Hungria.
Nem de propósito. Ainda a respeito da Zero, recebo uma carta a anunciar a suspensão das suas actividades. Depois da ameaça no final do Verão, a concretização.
Em carta desencantada, a direcção lamenta o desinteresse da Câmara de Lisboa e de outras entidades com responsabilidades na área da cultura por este projecto. Pela maneira como subestimaram um trabalho que trouxe de forma sistemática, reflectida e insistente uma amostragem do que de melhor se está a fazer pelo mundo em termos de cinema. Muitos de nós, como eu, são testemunha desse esforço. A vergonha fica com quem deve ficar.
Antes de partirem e além da já referida mostra no Quarteto, a Zero programou para Dezembro, 3 interessantes filmes. Conheço apenas um, ALL ABOUT LILY CHOU CHOU, de Shunji Iwai, que começa com um plano sequência absolutamente maravilhoso. Como diz o prospecto "é um filme que se sente" mais do que se vê. A 4, 5 e 9 de Dezembro. Antes disso, LABERINTO DE PASIONES, de Pedro Almodóvar, passado numa Madrid dos anos 80. E a 10, 11 e 12, chega HUKKLE, de Pálfi Gyorgy, um filme perturbador sobre a vida rural na Hungria.
25 de novembro de 2003
CICLO QUARTETO
Para além das antestreias, o cinema Quarteto, via Zero Em Comportamento, convidou algumas pessoas para escolherem um filme que tenha tido uma carreira discreta e de que tenham gostado particularmente. A ideia consiste em visionar o filme em conjunto e o mentor da selecção trocar ideias sobre a coisa em si com o resto do público.
A escolha deste vosso criado recaiu sobre "Nos meus lábios", de Jacques Audiard.
Os que não tiverem visto ou quiserem rever em conjunto, apareçam na quinta-feira às 21.30 h, neste cinema.
Para além das antestreias, o cinema Quarteto, via Zero Em Comportamento, convidou algumas pessoas para escolherem um filme que tenha tido uma carreira discreta e de que tenham gostado particularmente. A ideia consiste em visionar o filme em conjunto e o mentor da selecção trocar ideias sobre a coisa em si com o resto do público.
A escolha deste vosso criado recaiu sobre "Nos meus lábios", de Jacques Audiard.
Os que não tiverem visto ou quiserem rever em conjunto, apareçam na quinta-feira às 21.30 h, neste cinema.
O DINHEIRO É UMA BRISA QUE DESLIZA PARA O BOLSO DA CAMISA
Porreiríssimos, os administradores da companhia que gere as nossas autoestradas. Enviaram-me uma carta em que me dão várias opções. A saber, se quero alugar ou comprar o identificador que JÁ COMPREI. Se não disser nada, descontam-me mais 30 € e fica adquirido (até nova e compulsiva aquisição, claro). Se não gostar desta ideia posso sempre pegar no envelope que eles me oferecem e dizer-lhes que "quero alugar", isto é, que deverão retirar 10 € por ano da minha conta, ad aeternum, pelo aparelho que já tenho.
E vão mais longe, quais Marta Neves, avisam-me que o meu nome, endereço, número de telefone e tudo o que confidencialmente lhes entreguei, será cedido a outra empresa, caso não diga nada em contrário. Isso dar-me-á direito a receber telefonemas recorrentes de empresas de inquéritos.
"Olá, fala Brisa. Era para saber se não quer alterar o seu seguro automóvel..."
Bem-haja a democracia.
Porreiríssimos, os administradores da companhia que gere as nossas autoestradas. Enviaram-me uma carta em que me dão várias opções. A saber, se quero alugar ou comprar o identificador que JÁ COMPREI. Se não disser nada, descontam-me mais 30 € e fica adquirido (até nova e compulsiva aquisição, claro). Se não gostar desta ideia posso sempre pegar no envelope que eles me oferecem e dizer-lhes que "quero alugar", isto é, que deverão retirar 10 € por ano da minha conta, ad aeternum, pelo aparelho que já tenho.
E vão mais longe, quais Marta Neves, avisam-me que o meu nome, endereço, número de telefone e tudo o que confidencialmente lhes entreguei, será cedido a outra empresa, caso não diga nada em contrário. Isso dar-me-á direito a receber telefonemas recorrentes de empresas de inquéritos.
"Olá, fala Brisa. Era para saber se não quer alterar o seu seguro automóvel..."
Bem-haja a democracia.
FERRO-NOVO
De acordo com o DN de hoje, os comerciantes de Coimbra estarão muito contentes com as greves estudantis. Consta que já venderam mais de 500 euros em correntes e cadeados.
Os donos das sexshops é que estão a ficar lixados: "Se continuam a cravar os pais para gastar o dinheiro em ferragens estes ainda se chateiam e não lhes dão dinheiro para comprar pénis de borrachas ou chicotes. E a alegria das praxes é que sofre...!".
De acordo com o DN de hoje, os comerciantes de Coimbra estarão muito contentes com as greves estudantis. Consta que já venderam mais de 500 euros em correntes e cadeados.
Os donos das sexshops é que estão a ficar lixados: "Se continuam a cravar os pais para gastar o dinheiro em ferragens estes ainda se chateiam e não lhes dão dinheiro para comprar pénis de borrachas ou chicotes. E a alegria das praxes é que sofre...!".
24 de novembro de 2003
O ACTO DE BOBAGEM
Há uns tempos atrás, a brilhante Tia Bobona preconizava a "Hipocrisia Social" como acto de sobrevivência. Na altura insurgi-me contra esta atitude defendendo a sinceridade como valor primeiro.
Contudo, ao pensar em certas pessoas não consigo deixar de ver que há quem tenha como refrão favorito "tell me lies, tell me lies, tell me sweet little lies"...
Não é por amor à hipocrisia. Apenas são incapazes de lidar com a verdade. O que dificulta bastante a vida a quem não sabe comunicar de outra maneira...
Há uns tempos atrás, a brilhante Tia Bobona preconizava a "Hipocrisia Social" como acto de sobrevivência. Na altura insurgi-me contra esta atitude defendendo a sinceridade como valor primeiro.
Contudo, ao pensar em certas pessoas não consigo deixar de ver que há quem tenha como refrão favorito "tell me lies, tell me lies, tell me sweet little lies"...
Não é por amor à hipocrisia. Apenas são incapazes de lidar com a verdade. O que dificulta bastante a vida a quem não sabe comunicar de outra maneira...
CAÇADORES
Não consigo encontrar nada de positivo nestes. E não é tanto por dedicarem os seus domingos e feriados a encherem de chumbo animais bravios ou de cativeiro. Ou pelo facto de milhares de cães serem abandonados (hoje vi diversos) pelas estradas do país, pelo facto de "não terem faro". Ou sequer por milhares de homens encherem a cara com cerveja e vinho antes de se meterem à estrada em magotes, enfiados em jipes (muitos deles comprados com subsídios a fundo perdido pedido para outra coisa qualquer) seguidos daquelas ridículas caixas atreladas com latidos. E também não é pelo facto de todos os anos morrer gente comida pelos chumbos de uma caçadeira deixada demasiado à mão, logo transformada em brinquedo pelas crianças ou em arma de vingança por maridos encornados ou vizinhos coléricos...
Não sei... Embirro... Mesmo se não estou a ver a razão...
Não consigo encontrar nada de positivo nestes. E não é tanto por dedicarem os seus domingos e feriados a encherem de chumbo animais bravios ou de cativeiro. Ou pelo facto de milhares de cães serem abandonados (hoje vi diversos) pelas estradas do país, pelo facto de "não terem faro". Ou sequer por milhares de homens encherem a cara com cerveja e vinho antes de se meterem à estrada em magotes, enfiados em jipes (muitos deles comprados com subsídios a fundo perdido pedido para outra coisa qualquer) seguidos daquelas ridículas caixas atreladas com latidos. E também não é pelo facto de todos os anos morrer gente comida pelos chumbos de uma caçadeira deixada demasiado à mão, logo transformada em brinquedo pelas crianças ou em arma de vingança por maridos encornados ou vizinhos coléricos...
Não sei... Embirro... Mesmo se não estou a ver a razão...
21 de novembro de 2003
CHUVA DE GREVISTAS
É sempre maravilhosa a discrepância entre os números apresentados pelos governos (nunca mais de 10%) e pelos sindicatos (entre 80% e 100%)..
A autoestrada esteve toda a tarde entupida. E não foi só por causa da chuva: hordas de funcionários sorridentes protestavam nas estações de serviço contra a demora das bicas e da entrega do troco dos cigarros que os impediam de chegar aos destinos de fim-de-semana antecipado. De facto, era criminoso perturbar aquela alegria.
Bem-hajam os sindicatos que convocaram as faltas ao trabalho para a sexta-feira. Eu sei que foi coincidência, mas mesmo assim...
É sempre maravilhosa a discrepância entre os números apresentados pelos governos (nunca mais de 10%) e pelos sindicatos (entre 80% e 100%)..
A autoestrada esteve toda a tarde entupida. E não foi só por causa da chuva: hordas de funcionários sorridentes protestavam nas estações de serviço contra a demora das bicas e da entrega do troco dos cigarros que os impediam de chegar aos destinos de fim-de-semana antecipado. De facto, era criminoso perturbar aquela alegria.
Bem-hajam os sindicatos que convocaram as faltas ao trabalho para a sexta-feira. Eu sei que foi coincidência, mas mesmo assim...
20 de novembro de 2003
SOBRE CROQUETES
À porta de mais um lançamento, diz o Papa (ajeitando o nó da gravata) para os jovens escritores:
-Sabem, o mais importante é o Silêncio. Não levantar muitas ondas. Repetir o que já foi dito e aprovado. Fingir que se ama a ousadia, sem se pisar o risco. Mas atenção: que pareça original tudo o que emitirem! Fiz-me entender?
- Mééééé!!
- Méé!
E entrando:
- De Ouro. É de Ouro. Já a Palavra, não vale mais do que a Prata...
À porta de mais um lançamento, diz o Papa (ajeitando o nó da gravata) para os jovens escritores:
-Sabem, o mais importante é o Silêncio. Não levantar muitas ondas. Repetir o que já foi dito e aprovado. Fingir que se ama a ousadia, sem se pisar o risco. Mas atenção: que pareça original tudo o que emitirem! Fiz-me entender?
- Mééééé!!
- Méé!
E entrando:
- De Ouro. É de Ouro. Já a Palavra, não vale mais do que a Prata...
AINDA A PROPÓSITO DAS ONDAS
Depois de um bocadinho de deslumbramento com a pilha (literalmente) de novos títulos que encheram as prateleiras de livros da Fnac (raios me partam que não consigo deixar este vício da leitura... Não haverá uma marca de pastilhas para colar no braço ou assim que nos afaste desta ânsia de saber mais?) o meu dia entrou em período NÃO. Sabem aquela coisa do mundo que nos cai em cima e que ou começamos a dar à perna e tentar estancar a hemorragia ou as coisas ficam mesmo feias? Foi assim.
Mas enquanto conduzia o carro pelas ruas de Lisboa (alvíssaras, o pedestre foi de carro!) só me lembrava da frase escrita em baixo sobre nós sermos o mar. E sabem que mais? Tudo se compôs, mesmo se ainda estou a tentar explicar ao meu corpo febril esta coisa dos benefícios da metafísica :-)
Depois de um bocadinho de deslumbramento com a pilha (literalmente) de novos títulos que encheram as prateleiras de livros da Fnac (raios me partam que não consigo deixar este vício da leitura... Não haverá uma marca de pastilhas para colar no braço ou assim que nos afaste desta ânsia de saber mais?) o meu dia entrou em período NÃO. Sabem aquela coisa do mundo que nos cai em cima e que ou começamos a dar à perna e tentar estancar a hemorragia ou as coisas ficam mesmo feias? Foi assim.
Mas enquanto conduzia o carro pelas ruas de Lisboa (alvíssaras, o pedestre foi de carro!) só me lembrava da frase escrita em baixo sobre nós sermos o mar. E sabem que mais? Tudo se compôs, mesmo se ainda estou a tentar explicar ao meu corpo febril esta coisa dos benefícios da metafísica :-)
19 de novembro de 2003
LOBO ANTUNES
... perora e fuma na Sic Notícias enquanto escrevo isto.
Li, com o maior interesse, a entrevista dada ao DN de hoje (que já é ontem). Em muitos aspectos senti-me próximo do seu pensamento. Sobretudo no que toca à produção literária. À necessidade da reescrita constante. Ao olhar distanciado sobre os livros que ficaram para trás. "Já não somos os mesmos que escrevemos aquele romance", afirma. E tem razão.
Reproduzo o que me interessou no seu discurso. O resto podem ler directamente no site do jornal.
"Como lida com os diferentes tempos de um romance?
O tempo é muito curioso. À medida que se envelhece o tempo é mais rápido. Ainda agora foi Natal e já vai ser Natal outra vez. Quando se é novo pensa-se que o tempo vai resolver os problemas e depois a partir dos 40 percebe-se que o tempo é que é o problema. Sou muito consciente de que tenho pouco tempo, de que posso fazer mais dois ou três livros, e depois acabou(...)
As literaturas africanas são visíveis em Portugal?
E a literatura portuguesa é visível? O nível médio daquilo que se publica, seja onde for, é muito baixo. Esta é a verdade em todo o mundo. As pessoas compram aquelas coisas que falam sobre o hoje e quando o hoje se tornar ontem já ninguém vai ler aquilo.
Um livro pode ajudar a repensar o mundo?
Tenho uma certa desconfiança em relação à palavra pensar. Quando se está a escrever, pode-se pensar enquanto indivíduo, mas enquanto escritor... Sempre me fez confusão as pessoas que dizem: tenho um livro na cabeça só me falta escrever.
Isso não lhe acontece quanto parte para as suas folhas?
Parto sem nada.(...)
Qual a missão da crítica?
Idealmente, a missão da crítica seria ajudar a ler. Em teoria, o crítico será um leitor mais atento do que os outros. Não tem necessariamente que emitir juízos de valor. Temos tendência a gostar só dos que são da nossa família, as ideias confundem-se com as nossas paixões. Em Portugal não sei como se passa a crítica.
(...)
Uma relação com uma editora normalmente tem altos e baixos. Digamos que neste momento não estou num alto. Esta é uma época muito complicada porque as editoras atiram cá para fora o máximo de livros que puderem, é uma época em que se vende. Só que há desatenções que já não tolero ou tenho dificuldade em engolir. Não quero que me respeitem a mim, quero que respeitem a honestidade do meu trabalho. E ao mesmo tempo sou extremamente fiel, cria-se uma relação de amizade que para mim é muito importante.
(...)
Acaba de ganhar outro relevante prémio, o da União Latina. O júri fundamenta: «Lobo Antunes é a voz mais expressiva da realidade profunda de Portugal.» Que sente?
Não me interessa ser a voz mais expressiva de Portugal. É preciso dessacralizar os prémios. É evidente que são agradáveis. Os prémios, porém, não têm nada a ver com literatura no sentido em que não tornam os livros nem melhores nem piores.
(...)
É um homem sem política e sem religião?
Sou um homem religioso. Cada vez mais. Os grandes físicos do século XX eram homens profundamente crentes; chegaram a Deus através da física, da matemática.
(...)
Estamos numa época em que começa a apetecer revisitar os grandes clássicos?
O que é um clássico? Calvino dizia que clássico é aquele que a gente nunca diz que está a ler, dizemos que estamos a reler.
(...)
E ensinar as pessoas a não terem pressa e que é necessário trabalhar e retrabalhar às vezes é difícil porque há uma sede de reconhecimento. O sucesso é medido pelo número de exemplares vendidos, nem se dão conta...
De que estão na fogueira do mercado?
Mas se pensam na fogueira do mercado, para quê escrever? É preciso sacrificar muitas vezes a tentação, que é humana, não só de frases bonitas mas também de situações que vão prejudicar a eficácia do livro. Muitas vezes tem de deitar-se fora coisas que eventualmente poderão ser boas mas não servem o livro, prejudicam-lhe o galope.
(...)
O escritor deve ser uma voz da consciência?
O seu único compromisso é fazer livros. A importância do escritor é muito relativa. Terá, quando muito, de ser um contrapoder..."
E pronto. Parecendo que não ainda foi uma longa série de frases ;-)
... perora e fuma na Sic Notícias enquanto escrevo isto.
Li, com o maior interesse, a entrevista dada ao DN de hoje (que já é ontem). Em muitos aspectos senti-me próximo do seu pensamento. Sobretudo no que toca à produção literária. À necessidade da reescrita constante. Ao olhar distanciado sobre os livros que ficaram para trás. "Já não somos os mesmos que escrevemos aquele romance", afirma. E tem razão.
Reproduzo o que me interessou no seu discurso. O resto podem ler directamente no site do jornal.
"Como lida com os diferentes tempos de um romance?
O tempo é muito curioso. À medida que se envelhece o tempo é mais rápido. Ainda agora foi Natal e já vai ser Natal outra vez. Quando se é novo pensa-se que o tempo vai resolver os problemas e depois a partir dos 40 percebe-se que o tempo é que é o problema. Sou muito consciente de que tenho pouco tempo, de que posso fazer mais dois ou três livros, e depois acabou(...)
As literaturas africanas são visíveis em Portugal?
E a literatura portuguesa é visível? O nível médio daquilo que se publica, seja onde for, é muito baixo. Esta é a verdade em todo o mundo. As pessoas compram aquelas coisas que falam sobre o hoje e quando o hoje se tornar ontem já ninguém vai ler aquilo.
Um livro pode ajudar a repensar o mundo?
Tenho uma certa desconfiança em relação à palavra pensar. Quando se está a escrever, pode-se pensar enquanto indivíduo, mas enquanto escritor... Sempre me fez confusão as pessoas que dizem: tenho um livro na cabeça só me falta escrever.
Isso não lhe acontece quanto parte para as suas folhas?
Parto sem nada.(...)
Qual a missão da crítica?
Idealmente, a missão da crítica seria ajudar a ler. Em teoria, o crítico será um leitor mais atento do que os outros. Não tem necessariamente que emitir juízos de valor. Temos tendência a gostar só dos que são da nossa família, as ideias confundem-se com as nossas paixões. Em Portugal não sei como se passa a crítica.
(...)
Uma relação com uma editora normalmente tem altos e baixos. Digamos que neste momento não estou num alto. Esta é uma época muito complicada porque as editoras atiram cá para fora o máximo de livros que puderem, é uma época em que se vende. Só que há desatenções que já não tolero ou tenho dificuldade em engolir. Não quero que me respeitem a mim, quero que respeitem a honestidade do meu trabalho. E ao mesmo tempo sou extremamente fiel, cria-se uma relação de amizade que para mim é muito importante.
(...)
Acaba de ganhar outro relevante prémio, o da União Latina. O júri fundamenta: «Lobo Antunes é a voz mais expressiva da realidade profunda de Portugal.» Que sente?
Não me interessa ser a voz mais expressiva de Portugal. É preciso dessacralizar os prémios. É evidente que são agradáveis. Os prémios, porém, não têm nada a ver com literatura no sentido em que não tornam os livros nem melhores nem piores.
(...)
É um homem sem política e sem religião?
Sou um homem religioso. Cada vez mais. Os grandes físicos do século XX eram homens profundamente crentes; chegaram a Deus através da física, da matemática.
(...)
Estamos numa época em que começa a apetecer revisitar os grandes clássicos?
O que é um clássico? Calvino dizia que clássico é aquele que a gente nunca diz que está a ler, dizemos que estamos a reler.
(...)
E ensinar as pessoas a não terem pressa e que é necessário trabalhar e retrabalhar às vezes é difícil porque há uma sede de reconhecimento. O sucesso é medido pelo número de exemplares vendidos, nem se dão conta...
De que estão na fogueira do mercado?
Mas se pensam na fogueira do mercado, para quê escrever? É preciso sacrificar muitas vezes a tentação, que é humana, não só de frases bonitas mas também de situações que vão prejudicar a eficácia do livro. Muitas vezes tem de deitar-se fora coisas que eventualmente poderão ser boas mas não servem o livro, prejudicam-lhe o galope.
(...)
O escritor deve ser uma voz da consciência?
O seu único compromisso é fazer livros. A importância do escritor é muito relativa. Terá, quando muito, de ser um contrapoder..."
E pronto. Parecendo que não ainda foi uma longa série de frases ;-)
17 de novembro de 2003
O FIM DOS MITOS?
Para os que (como eu) cresceram no meio de histórias sem pés nem cabeça, este endereço pode ser útil.
Só me falta saber se as cobras são mesmo atraídas pelo leite das grávidas. O resto já está esclarecido ;-)
Para os que (como eu) cresceram no meio de histórias sem pés nem cabeça, este endereço pode ser útil.
Só me falta saber se as cobras são mesmo atraídas pelo leite das grávidas. O resto já está esclarecido ;-)
TAVEIRADAS
Da entrevista ao Correio da Manhã, fico a saber que o - por assim dizer - arquitecto T. Taveira, ainda está a trabalhar no projecto de renovação do Estádio da Luz.
Haja uma alma caridosa que vá dizer ao senhor que essa estrutura já foi abaixo.
Se ele não acreditar, gravem um vídeo e mostrem-lhe.
Da entrevista ao Correio da Manhã, fico a saber que o - por assim dizer - arquitecto T. Taveira, ainda está a trabalhar no projecto de renovação do Estádio da Luz.
Haja uma alma caridosa que vá dizer ao senhor que essa estrutura já foi abaixo.
Se ele não acreditar, gravem um vídeo e mostrem-lhe.
CITAÇÕES
Dos Marretas, não resisto a reproduzir o texto do Animal:
"Já ouviram falar em greves de zelo? Que tal irem TODOS os alunos a TODAS as aulas, fazerem perguntas aos profes, exigirem a bibliografia actualizada, comparecerem EM PESO às aulas práticas... se pretendem fazer o sistema entrar em colapso, não encontram melhor processo. Assim, já era capaz de acreditar na verdade das reivindicações estudantis - a tal exigência de qualidade do ensino."
Caro Animal, de um professor universitário não esperava tanta crueldade! Lol! Mas era irem mesmo a todas? E tirarem apontamentos?
Nem o Sade, se renascesse, teria uma ideia dessas ;-)
Dos Marretas, não resisto a reproduzir o texto do Animal:
"Já ouviram falar em greves de zelo? Que tal irem TODOS os alunos a TODAS as aulas, fazerem perguntas aos profes, exigirem a bibliografia actualizada, comparecerem EM PESO às aulas práticas... se pretendem fazer o sistema entrar em colapso, não encontram melhor processo. Assim, já era capaz de acreditar na verdade das reivindicações estudantis - a tal exigência de qualidade do ensino."
Caro Animal, de um professor universitário não esperava tanta crueldade! Lol! Mas era irem mesmo a todas? E tirarem apontamentos?
Nem o Sade, se renascesse, teria uma ideia dessas ;-)
RODA DA PAZ
Mesmo para quem não seja dado às coisas menos provadas, os textos da Maria José Costa Felix têm interesse. Remetem-nos para nós próprios e obrigam-nos, de forma serena, a perguntar o que andamos a fazer com a nossa vida. Na "Pública" de ontem, cita Pierre Weil e o seu livro, "Os Mutantes".
"Era uma vez uma onda que, ao perguntar a outra onda onde é que ela ia tão aflita e apressada, ouviu a resposta: Vou por aí, à procura do mar... E logo a primeira atalhou: "Mas tu és o mar!"
(...) Nós somos ondas que se esqueceram de que são o mar. "
Mesmo para quem não seja dado às coisas menos provadas, os textos da Maria José Costa Felix têm interesse. Remetem-nos para nós próprios e obrigam-nos, de forma serena, a perguntar o que andamos a fazer com a nossa vida. Na "Pública" de ontem, cita Pierre Weil e o seu livro, "Os Mutantes".
"Era uma vez uma onda que, ao perguntar a outra onda onde é que ela ia tão aflita e apressada, ouviu a resposta: Vou por aí, à procura do mar... E logo a primeira atalhou: "Mas tu és o mar!"
(...) Nós somos ondas que se esqueceram de que são o mar. "
16 de novembro de 2003
BACK FROM TOON TOWN :)
139 filmes depois, cá estou, para fazer o balanço. Gosto de ir a festivais de cinema. De andar com uma badge ao pescoço como quem pertence a uma tribo de maluquinhos reunidos numa cidade normal. Durante uma semana ninguém me vê noutros sítios que não sejam a sala de cinema, um ou dois restaurantes, e o átrio do hotel. É um prazer simples e ingénuo. Mas é assim. :) O que também é assim é a overdose com que se regressa a casa. O ponto em que me encontro.
O Cinanima continua a ser O Sítio da animação. O local em que se podem ver filmes atrás de filmes, até percebermos que quando se fala em animação, não estamos obrigatoriamente a cantar louvores à Disney.
Este ano, como a imprensa noticiou, o grande premiado foi o filme australiano "Harvie Krumpet", de Adam Elliot. 23 minutos hilariantes de um homem azarado que anota os "factos da vida". Tão engraçado que só visto (a RTP 2 vai mostrá-lo, um dia destes, juntamente com o "Fast Filme", do imaginativo e hábil Virgil Widrich - de quem já se conhecia um outro filme interessante "Copy Shop" muito premiado).
Nem sei que mais diga, foram tantas as surpresas boas vindas do estrangeiro e tão poucas as banhadas (ao contrário do ano anterior, onde no meio de filmes extraordinários, foram seleccionadas coisas inócuas que GANHARAM PRÉMIOS!!)....
Adorei o filme japonés "Salto em esqui", "O deus" do russo Konstantin Bronzit e o "Tim Tom", produzido pela Supinfocom (uma escola de onde ainda veio uma outra bela surpresa "Crease").
O panorama nacional foi menos animador, já que o número de filmes a concurso era reduzido e sem grande brilho. Contudo, assinalo o prémio atribuido a "Voragem", de Rui Cardoso, cujo argumento do produtor também foi premiado. Foi o trabalho nacional mais sólido, malgré uma certa falta de originalidade... Enfim, outros anos virão para a produção nacional.
O Cinanima continua vivo. "The God" o conserve.
139 filmes depois, cá estou, para fazer o balanço. Gosto de ir a festivais de cinema. De andar com uma badge ao pescoço como quem pertence a uma tribo de maluquinhos reunidos numa cidade normal. Durante uma semana ninguém me vê noutros sítios que não sejam a sala de cinema, um ou dois restaurantes, e o átrio do hotel. É um prazer simples e ingénuo. Mas é assim. :) O que também é assim é a overdose com que se regressa a casa. O ponto em que me encontro.
O Cinanima continua a ser O Sítio da animação. O local em que se podem ver filmes atrás de filmes, até percebermos que quando se fala em animação, não estamos obrigatoriamente a cantar louvores à Disney.
Este ano, como a imprensa noticiou, o grande premiado foi o filme australiano "Harvie Krumpet", de Adam Elliot. 23 minutos hilariantes de um homem azarado que anota os "factos da vida". Tão engraçado que só visto (a RTP 2 vai mostrá-lo, um dia destes, juntamente com o "Fast Filme", do imaginativo e hábil Virgil Widrich - de quem já se conhecia um outro filme interessante "Copy Shop" muito premiado).
Nem sei que mais diga, foram tantas as surpresas boas vindas do estrangeiro e tão poucas as banhadas (ao contrário do ano anterior, onde no meio de filmes extraordinários, foram seleccionadas coisas inócuas que GANHARAM PRÉMIOS!!)....
Adorei o filme japonés "Salto em esqui", "O deus" do russo Konstantin Bronzit e o "Tim Tom", produzido pela Supinfocom (uma escola de onde ainda veio uma outra bela surpresa "Crease").
O panorama nacional foi menos animador, já que o número de filmes a concurso era reduzido e sem grande brilho. Contudo, assinalo o prémio atribuido a "Voragem", de Rui Cardoso, cujo argumento do produtor também foi premiado. Foi o trabalho nacional mais sólido, malgré uma certa falta de originalidade... Enfim, outros anos virão para a produção nacional.
O Cinanima continua vivo. "The God" o conserve.
10 de novembro de 2003
DIAS ANIMADOS
Provavelmente não poderei andar por aqui durante os próximos dias. Vou estar em frente ao mar (para variar) no mar de Espinho. É o Cinanima, a festa do cinema de animação. Uma das poucas oportunidades de ver o que de melhor se produziu no ano anterior pelo mundo, além de ciclos, retrospectivas e lançamentos.
Se puderem fazer-se à estrada vão até lá que vale a pena.
See you soon.
Provavelmente não poderei andar por aqui durante os próximos dias. Vou estar em frente ao mar (para variar) no mar de Espinho. É o Cinanima, a festa do cinema de animação. Uma das poucas oportunidades de ver o que de melhor se produziu no ano anterior pelo mundo, além de ciclos, retrospectivas e lançamentos.
Se puderem fazer-se à estrada vão até lá que vale a pena.
See you soon.
9 de novembro de 2003
COME A PAPA, PORTUGAL COME A PAPA...
Gosto da sensatez das mulheres. Os homens são mais frequentemente reservados do que produtores de frases e textos inquestionáveis. Coisas do género: "Se metes os dedos na ficha ficas com o cérebro esturricado". Ditos que são ao mesmo tempo uma tomada de consciência e uma coisa caseira e simples.
A maioria das crónicas da Helena Matos são assim.
Gostei de uma das últimas sobre as escolas privadas e o discurso hipócrita dos governantes e políticos sobre o assunto.Afirma ela que todos juram a pés juntos que a escola pública é um local fantástico para educar os meninos. Contudo... todos eles metem os rebentos em escolas privadas, pagas a peso de ouro. "Que não lhes daria jeito os horários" - a eles, profissionais liberais - mas que ao desgraçado que entra às 9h e sai às 6 h já serviria.
A crónica de ontem, intitulada "Geração Bledine" é igualmente acutilante, se não mais ainda. Vou-me limitar a transcrever alguns excertos:
"É só professores a falar, a falar. Nem uma fotocópia nos dão, nem nada", dizia uma estudante a propósito das propinas. Outras duas, "todinhas" vestidas de cor-de-rosa, óculos de sol a condizer e acessórios vários,peroravam sobre a impossibilidade de pagarem as propinas, cujas, mesmo no seu valor máximo, custam menos do que aquilo que estão disposta a dar para, ao longo de um ano, andarem muito "fashion" em tons cor-de rosa e noutras cores. Os exemplos são inúmeros e, pese o seu lado caricato, deviam levar-nos a questionar o que está por detrás deste "Não pagamos!". Que geração é esta que considera que não deve contribuir nem de forma simbólica para custear os seus estudos?
Esta é a geração "bledine". Aquela a quem tudo chegou devidamente triturado em menus cheios de vitaminas e sais minerais. A geração cuja educação foi organizada sob o terror do trauma.(...) O próprio acto de aprender se transfigurou à luz desta "traumomania": as crianças não aprendem porque ficaram traumatizadas com as más notas. Quantos aos professores, o seu dever não é ensinar mas sim transfigurar galhofeiramente os conteúdos de modo a que os alunos lhes apeteça estudar.(...)
O que ecoa naquele "Não pagamos!" não é um grito de liberdade, mas sim a birra de mimo dos tais omnipotentes infantis de que agora falam os especialistas. De alguém a quem ao nascer se prometeu a vida com um seguro contra as contrariedades..."
Falou e disse.
Gosto da sensatez das mulheres. Os homens são mais frequentemente reservados do que produtores de frases e textos inquestionáveis. Coisas do género: "Se metes os dedos na ficha ficas com o cérebro esturricado". Ditos que são ao mesmo tempo uma tomada de consciência e uma coisa caseira e simples.
A maioria das crónicas da Helena Matos são assim.
Gostei de uma das últimas sobre as escolas privadas e o discurso hipócrita dos governantes e políticos sobre o assunto.Afirma ela que todos juram a pés juntos que a escola pública é um local fantástico para educar os meninos. Contudo... todos eles metem os rebentos em escolas privadas, pagas a peso de ouro. "Que não lhes daria jeito os horários" - a eles, profissionais liberais - mas que ao desgraçado que entra às 9h e sai às 6 h já serviria.
A crónica de ontem, intitulada "Geração Bledine" é igualmente acutilante, se não mais ainda. Vou-me limitar a transcrever alguns excertos:
"É só professores a falar, a falar. Nem uma fotocópia nos dão, nem nada", dizia uma estudante a propósito das propinas. Outras duas, "todinhas" vestidas de cor-de-rosa, óculos de sol a condizer e acessórios vários,peroravam sobre a impossibilidade de pagarem as propinas, cujas, mesmo no seu valor máximo, custam menos do que aquilo que estão disposta a dar para, ao longo de um ano, andarem muito "fashion" em tons cor-de rosa e noutras cores. Os exemplos são inúmeros e, pese o seu lado caricato, deviam levar-nos a questionar o que está por detrás deste "Não pagamos!". Que geração é esta que considera que não deve contribuir nem de forma simbólica para custear os seus estudos?
Esta é a geração "bledine". Aquela a quem tudo chegou devidamente triturado em menus cheios de vitaminas e sais minerais. A geração cuja educação foi organizada sob o terror do trauma.(...) O próprio acto de aprender se transfigurou à luz desta "traumomania": as crianças não aprendem porque ficaram traumatizadas com as más notas. Quantos aos professores, o seu dever não é ensinar mas sim transfigurar galhofeiramente os conteúdos de modo a que os alunos lhes apeteça estudar.(...)
O que ecoa naquele "Não pagamos!" não é um grito de liberdade, mas sim a birra de mimo dos tais omnipotentes infantis de que agora falam os especialistas. De alguém a quem ao nascer se prometeu a vida com um seguro contra as contrariedades..."
Falou e disse.
8 de novembro de 2003
ZOO
A VIDA DE PY veio hoje ter comigo. No nosso Zoo, um chefe de família (existe, existe) indiano alimentava os animais com gáudio, perante o olhar submisso da mulher e espantado do rebento. Muito amendoím comeram os ursos e a macacada em geral.
E havia mais cépticos sobre os avisos "Não alimente os animais". O Leão de Caca vai para uma suburbana que insistia com um macaco à solta (literalmente, já que não havia um único segurança ou tratador à vista, por todo o parque - excepção para as zonas de espectáculos) para que o bicho bebesse leite com chocolate por uma palhinha de plástico....
ps: tirando esta ausência de guardas, a nota não poderia ser mais positiva, o Zoo de Lisboa está muito mais próximo do que de melhor se faz no mundo.
A VIDA DE PY veio hoje ter comigo. No nosso Zoo, um chefe de família (existe, existe) indiano alimentava os animais com gáudio, perante o olhar submisso da mulher e espantado do rebento. Muito amendoím comeram os ursos e a macacada em geral.
E havia mais cépticos sobre os avisos "Não alimente os animais". O Leão de Caca vai para uma suburbana que insistia com um macaco à solta (literalmente, já que não havia um único segurança ou tratador à vista, por todo o parque - excepção para as zonas de espectáculos) para que o bicho bebesse leite com chocolate por uma palhinha de plástico....
ps: tirando esta ausência de guardas, a nota não poderia ser mais positiva, o Zoo de Lisboa está muito mais próximo do que de melhor se faz no mundo.
O CORDEIRO DOS TEMPOS
Já me parecia de alto risco a reportagem do Expresso que mostrava a cara descoberta de um menino criado por um casal homossexual. Não porque o tema não fosse da maior pertinência ou deturpasse a verdade, mas porque na sua inconsciência, este adolescente estava a expôr-se completamente à crueldade do meio escolar e de vizinhança.
Quando vi que a Tvi, no seu rasto habitual de sangue e escandaleira, escarrapachou o menor em prime time, só me apeteceu rezar pelos próximos dias deste filho que coloca as coisas nos termos em que elas devem estar: fui criado por duas pessoas que me amaram e cuidaram de mim. A separação recente não virá certamente alterar os sentimentos de nenhum dos 3 face à paternidade.
Pensei nos primeiros alunos negros que frequentaram as escolas onde a segregaçãop era a regra, mesmo se a lei apontava noutra direcção. Nos primeiros meninos contaminados com HIV que há muito poucos anos levavam os pais de outras crianças a virem gritar para as câmaras que não os queriam lá.
Veio-me à cabeça uma outra frase, mais antiga: "Eis o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo..."
Já me parecia de alto risco a reportagem do Expresso que mostrava a cara descoberta de um menino criado por um casal homossexual. Não porque o tema não fosse da maior pertinência ou deturpasse a verdade, mas porque na sua inconsciência, este adolescente estava a expôr-se completamente à crueldade do meio escolar e de vizinhança.
Quando vi que a Tvi, no seu rasto habitual de sangue e escandaleira, escarrapachou o menor em prime time, só me apeteceu rezar pelos próximos dias deste filho que coloca as coisas nos termos em que elas devem estar: fui criado por duas pessoas que me amaram e cuidaram de mim. A separação recente não virá certamente alterar os sentimentos de nenhum dos 3 face à paternidade.
Pensei nos primeiros alunos negros que frequentaram as escolas onde a segregaçãop era a regra, mesmo se a lei apontava noutra direcção. Nos primeiros meninos contaminados com HIV que há muito poucos anos levavam os pais de outras crianças a virem gritar para as câmaras que não os queriam lá.
Veio-me à cabeça uma outra frase, mais antiga: "Eis o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo..."
DESCONFIANÇA
Ao que parece, a deputada Odete Santos terá interrompido a sua carreira de actriz para afirmar no parlamento que não lhe parecia bem que se encomendasse uma sondagem sobre o Aborto à Universidade Católica.
Onde é que esta mulher foi buscar tanta desconfiança?... Parece-me tão fiável ser esta instituição a tratar do assunto, como a Associação Nacional de Caçadores ser responsável por uma inquérito sobre a manutenção do abate domingueiro de tudo quanto é bicho. Ou, a um nível mais internacional, a diocese de Boston interrogar-se sobre a eventual existência de predadores sexuais na sua zona...
Ao que parece, a deputada Odete Santos terá interrompido a sua carreira de actriz para afirmar no parlamento que não lhe parecia bem que se encomendasse uma sondagem sobre o Aborto à Universidade Católica.
Onde é que esta mulher foi buscar tanta desconfiança?... Parece-me tão fiável ser esta instituição a tratar do assunto, como a Associação Nacional de Caçadores ser responsável por uma inquérito sobre a manutenção do abate domingueiro de tudo quanto é bicho. Ou, a um nível mais internacional, a diocese de Boston interrogar-se sobre a eventual existência de predadores sexuais na sua zona...
6 de novembro de 2003
CINANIMA
Começa já na próxima semana e prolonga-se até ao fim-de-semana seguinte, é o Festival de Animação de Espinho.
Como sempre lá estarei para aplaudir as novidades mais interessantes e dormitar nas restantes. O cinema de animação é uma das áreas que mais me interessa no campo da produção audiovisual.
Este ano, helàs, terei responsabilidades acrescidas no que toca à produção nacional, já que faço parte do júri. Farei o meu melhor.
Começa já na próxima semana e prolonga-se até ao fim-de-semana seguinte, é o Festival de Animação de Espinho.
Como sempre lá estarei para aplaudir as novidades mais interessantes e dormitar nas restantes. O cinema de animação é uma das áreas que mais me interessa no campo da produção audiovisual.
Este ano, helàs, terei responsabilidades acrescidas no que toca à produção nacional, já que faço parte do júri. Farei o meu melhor.
(sic)
Dando razão ao Luís Graça, que toma a leitura do jornais como um mal necessário, lá vou até Carnaxide comentar a Imprensa do dia. Um homem regressado de S.Tomé deveria ser poupado a isto, mas enfim, compromisso anteriormente assumido é para ser cumprido.
A vigança vai ser que vou levar os óculos de ver ao perto e ler as notícias pequenininhas. As que falam das coisas boas do mundo
;-)
Dando razão ao Luís Graça, que toma a leitura do jornais como um mal necessário, lá vou até Carnaxide comentar a Imprensa do dia. Um homem regressado de S.Tomé deveria ser poupado a isto, mas enfim, compromisso anteriormente assumido é para ser cumprido.
A vigança vai ser que vou levar os óculos de ver ao perto e ler as notícias pequenininhas. As que falam das coisas boas do mundo
;-)
5 de novembro de 2003
4 de novembro de 2003
ACTO DE CONTRIÇÃO
Como já combinei ir amanhã ver o MATRIX, ao Monumental, aqui fica um excerto do livro que ando a ler. Eu sei que isto não me limpa a reputação... mas enfim, é como dar 50 ct a um mendigo: sempre ajuda....
"O caminho da Montanha Fria é risível
Não tem marcas de carros ou cavalos
Torrentes ligadas difíceis meandros
Picos amontoados que se repetem
O orvalho chora sobre mil plantas
O vento murmura sobre iguais pinheiros
Algures perdido o caminho
A forma interroga a sombra: a partir de quê?"
in O VAGABUNDO DO DHARMA, 25 poemas de Han-Shan,
Versão poética de Ana Hatherley
Como já combinei ir amanhã ver o MATRIX, ao Monumental, aqui fica um excerto do livro que ando a ler. Eu sei que isto não me limpa a reputação... mas enfim, é como dar 50 ct a um mendigo: sempre ajuda....
"O caminho da Montanha Fria é risível
Não tem marcas de carros ou cavalos
Torrentes ligadas difíceis meandros
Picos amontoados que se repetem
O orvalho chora sobre mil plantas
O vento murmura sobre iguais pinheiros
Algures perdido o caminho
A forma interroga a sombra: a partir de quê?"
in O VAGABUNDO DO DHARMA, 25 poemas de Han-Shan,
Versão poética de Ana Hatherley
DRAMA LITERÁRIO
Compreendo agora melhor os Existencialistas e a sua mania de escreverem coisas que tendiam a passar-se no mesmo sítio. Se lhes seguisse o exemplo, não estaria agora consumido por perguntas do género: "Como raio seria esta região de Inglaterra no séc. XIX"? Ou, "A que horas se consegue olhar para fora e ver claramente a paisagem da Nova Caledónia"... (suspiro)
Compreendo agora melhor os Existencialistas e a sua mania de escreverem coisas que tendiam a passar-se no mesmo sítio. Se lhes seguisse o exemplo, não estaria agora consumido por perguntas do género: "Como raio seria esta região de Inglaterra no séc. XIX"? Ou, "A que horas se consegue olhar para fora e ver claramente a paisagem da Nova Caledónia"... (suspiro)
A VIDA DE PI
Acabei de ler o livro de Yann Martel. A história de um rapaz e de um tigre num espaço fechado. Um retrato de um percurso de sobrevivência ou até onde alguém pode ir na negação da Moral aprendida.
Não sei se justifica todo o cagaçal feito à volta, mas é claramente um bom livro. E, sobretudo, uma boa ideia. Prolongar durante mais de 300 páginas algo que acontece quase sempre no mesmo espaço, é obra.
A ler.
ps: se sonharem que comem animais crus e sem pele várias vezes, não se preocupem. Em princípio este efeito passa dois dias depois de acabarem de ler. Pelo menos comigo...
Acabei de ler o livro de Yann Martel. A história de um rapaz e de um tigre num espaço fechado. Um retrato de um percurso de sobrevivência ou até onde alguém pode ir na negação da Moral aprendida.
Não sei se justifica todo o cagaçal feito à volta, mas é claramente um bom livro. E, sobretudo, uma boa ideia. Prolongar durante mais de 300 páginas algo que acontece quase sempre no mesmo espaço, é obra.
A ler.
ps: se sonharem que comem animais crus e sem pele várias vezes, não se preocupem. Em princípio este efeito passa dois dias depois de acabarem de ler. Pelo menos comigo...
3 de novembro de 2003
2 de novembro de 2003
4
Peço desculpa por ir reduzir (provavelmente) o meu número de posts. Vou deixar de comprar jornais e de ficar maravilhosamente informado-deprimido, por uns tempos. E tenho um romance à minha espera, não falando dos filhos pequenos que são os contos. E, quando me sobrar tempo disso tudo, vou ter de me sentar a falar com os meus amigos, ou ouvir música e cozinhar coisas suspeitas no meu wok.
Perdoarão que não continue a comentar, regularmente, notícias de corrupção, justiça da risota ou parafilias várias....
Os mais necessitados destes estímulos podem já começar a mudar-se, porque ou me engano muito ou isto vai passar a ter mais poemas que refilanços ;)
Peço desculpa por ir reduzir (provavelmente) o meu número de posts. Vou deixar de comprar jornais e de ficar maravilhosamente informado-deprimido, por uns tempos. E tenho um romance à minha espera, não falando dos filhos pequenos que são os contos. E, quando me sobrar tempo disso tudo, vou ter de me sentar a falar com os meus amigos, ou ouvir música e cozinhar coisas suspeitas no meu wok.
Perdoarão que não continue a comentar, regularmente, notícias de corrupção, justiça da risota ou parafilias várias....
Os mais necessitados destes estímulos podem já começar a mudar-se, porque ou me engano muito ou isto vai passar a ter mais poemas que refilanços ;)
3
Ainda o avião não tinha parado e já percebia que estava em África. Na África dos filmes e da imaginação. Na África das ervas altas e das palmeiras. Na África em que as mulheres usam os filhos pequenos amarrados às costas com panos coloridos.
O que eu não sabia é que em África, nesta África, o coração das pessoas ainda estava virgem.
Ainda o avião não tinha parado e já percebia que estava em África. Na África dos filmes e da imaginação. Na África das ervas altas e das palmeiras. Na África em que as mulheres usam os filhos pequenos amarrados às costas com panos coloridos.
O que eu não sabia é que em África, nesta África, o coração das pessoas ainda estava virgem.
2
Nas salas cheias de alunos africanos recebia sorrisos largos enquanto contava histórias imaginárias que se passavam em mundos tão diferentes como o deserto e o mar aberto.
Em salas cheias de alunos africanos relembrei o que é a curiosidade e o interesse. E também que todos os miúdos jovens escrevem poemas, protestam contra a autoridade e sentem um interesse galopante pelas histórias românticas.
Foi bom falar com gente nova que não olha enfastiada para nós como se dissesse: "dá-me tudo, porque eu tenho direito a tudo". Em África ainda se entende o valor da aprendizagem.
Nas salas cheias de alunos africanos recebia sorrisos largos enquanto contava histórias imaginárias que se passavam em mundos tão diferentes como o deserto e o mar aberto.
Em salas cheias de alunos africanos relembrei o que é a curiosidade e o interesse. E também que todos os miúdos jovens escrevem poemas, protestam contra a autoridade e sentem um interesse galopante pelas histórias românticas.
Foi bom falar com gente nova que não olha enfastiada para nós como se dissesse: "dá-me tudo, porque eu tenho direito a tudo". Em África ainda se entende o valor da aprendizagem.
VIM
Tinha razão uma das visitantes ao dizer que ninguém volta igual de S.Tomé.
Volta-se melhor.
Como pessoa.
Em S.Tomé ainda há mãos estendidas e corações abertos. As pessoas vivem com muito pouco. A maioria colhe os frutos das árvores,da terra ou do mar. Pescadores de pé, sobre as pirogas acenam para a terra onde as mulheres alegres como crianças negoceiam o preço do concon (não sei se se escreve assim) ou do peixe-fumo.
Quando andamos pelos buracos em que se converteram as estradas da ilha, só ouvimos uma saudação: "Amigo!".
Em S.tomé percebemos como a Europa e o "mundo civilizado" caminha para o abismo. Em S.Tomé percebemos que uma praia banhada por ondas mansas e ladeada de coqueiros e árvores de fruta-pão é muito mais do que um postal: é um post-it na porta do nosso frigorífico urbano a lembrar-nos o que é essencial e o que é acessório.
Tinha razão uma das visitantes ao dizer que ninguém volta igual de S.Tomé.
Volta-se melhor.
Como pessoa.
Em S.Tomé ainda há mãos estendidas e corações abertos. As pessoas vivem com muito pouco. A maioria colhe os frutos das árvores,da terra ou do mar. Pescadores de pé, sobre as pirogas acenam para a terra onde as mulheres alegres como crianças negoceiam o preço do concon (não sei se se escreve assim) ou do peixe-fumo.
Quando andamos pelos buracos em que se converteram as estradas da ilha, só ouvimos uma saudação: "Amigo!".
Em S.tomé percebemos como a Europa e o "mundo civilizado" caminha para o abismo. Em S.Tomé percebemos que uma praia banhada por ondas mansas e ladeada de coqueiros e árvores de fruta-pão é muito mais do que um postal: é um post-it na porta do nosso frigorífico urbano a lembrar-nos o que é essencial e o que é acessório.
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